Testamos a Specialized Enduro Comp 650b 2018

May 11, 2018

 

A Enduro é uma bike produzida pela Specialized desde 1999. Inicialmente surgiu como uma versão de uma bike fabricada na época, chamada Ground Control. E no ano seguinte começou a ocupar o seu espaço próprio dentre as bikes oferecidas pela marca, mantendo-se em linha até hoje.

 

Nesses quase 20 anos de existência, passou por muitas transformações. Nove vezes, para ser mais exato, já que a linha 2018 veio reformulada, com mudanças importantes na geometria.

 

A proposta dessa bicicleta sempre foi ser uma trailbike com uma pegada mais agressiva, agradando aqueles bikers que gostam de ousar um pouco mais nas descidas, mas não abrem mão de subir a montanha pedalando. Um rolê conhecido lá fora com "All Mountain", com o propósito de curtir toda a montanha, subindo ou descendo.

 

Com o advento do enduro (modalidade competitiva baseada no All Mountain, e que leva o mesmo nome da bike) essas bikes evoluíram para um lado mais extremo, sendo capazes de fazer coisas que há poucos anos somente poderia ser feito com uma bike de downhill.

Mais curso nas suspensões, movimento central mais baixo e caixa de direção mais relaxada para ficar mais à vontade nas descidas.

Por outro lado, a evolução também tem ocorrido em termos de eficiência na pedalada, deixando essas bikes cada vez mais capazes de enfrentar toda a montanha, inclusive as subidas que levam ao topo.

 

Dentro da linha de mountain bikes para montanha produzida pela Specialized, a Enduro fica teoricamente entre a insana Demo, específica para downhill e a  icônica Stumpjumper, uma trailbike menos agressiva, mais versátil e com um pouco menos de curso.

 

A bike:

 

 

 

 

Testamos a versão de entrada da Enduro. Uma versão mais acessível da bike, com quadro de alumínio M5, rodas 27,5 (650b), suspensões Rockshox Yari RC (frente) e Rockshox Monarch Plus (traseira), ambas com 170mm de curso.


A transmissão Sram GX de 11 velocidades, pedivela RaceFace Aeffect, Freios Sram Guide R e demais componentes da própria Specialized (selim, canote ajustável, rodas, pneus, mesa, guidão) completam a bike, deixando ela pronta para encarar as trilhas mais agressivas.

 

Esteticamente, o tradicional quadro em X (X-wing) com cabeamento interno gera um visual limpo e muito interessante. Basta uma única olhada para ter a nítida sensação de estar olhando para algo robusto, feito para a "maldade". Inteira preta, brilhante e com poucos detalhes num verde que contrasta bem com o restante da bike. Um convite ao pecado. 

 

Uma novidade para a versão 2018 é a possibilidade de alterar a geometria através de uma peça que conecta o shock à bike. Eles chamam de flipchip. Isso permite que a bike fique 8 milímetros mais baixa e com ângulo da caixa de direção meio grau mais relaxada. Essas alterações deixam a bike ainda mais capaz de encarar terrenos difíceis.

 

Como foi o teste:

 

Como sempre, testamos a máquina em vários tipos de terrenos diferentes. Desde pedal no estradão de terra à caminho de alguma trilha, até trechos mais técnicos como os encontrados na Serra do Japi, próximo a São Paulo. Sem esquecer das rampas e trilhas do Nore Bike Park, local que conheço bem e que serve como bom parâmetro de comparação entre as bikes que testamos.

 

 

Subindo

 

Uma bike de all mountain precisa subir relativamente bem. Quem utiliza esse tipo de bike vai subir muito, sempre em busca das melhores trilhas. E essas trilhas geralmente começam lá no alto de uma montanha. E depois de descer a primeira trilha, provavelmente você vai subir em direção à próxima e assim por diante. A foto acima mostra o biker Gabriel Isper encarando uma subida com sua Enduro, com rodas 29. Só pra ter noção do que rola.

 

Vários fatores influenciam a habilidade de uma bike na subida, além da capacidade das suas pernas: geometria, peso, relação, rodas, pneus e suspensão. E não é justo comparar uma confortável bike com 170mm de curso nas suspensões com uma rígida e eficaz bike de XC, com modestos 100 ou 120mm de curso.

Levando isso em consideração, podemos dizer que a Enduro Comp sobe bem. Apesar de ter curso relativamente longo, a posição que você assume na subida é confortável e a trava nas suspensões ajuda bastante.

Poderia ser melhor? Com certeza sim. Eu trocaria a coroa de 30 por uma de 28 dentes, mais adequado à minha condição física, algo que faria diferença nas subidas longas. Perderia um pouco de velocidade final nas retas, mas isso não é o que busca quem compra essa bike. Com certeza um câmbio de 12 velocidades seria muito bem vindo. Mas é um componente bem caro e incomum para uma bike de entrada. 

O peso também não ajuda muito. Depois de passar uma temporada pedalando bikes mais leves, os cerca de 15 kilos da Enduro Comp mostram que esse é um fator que influencia consideravelmente a performance. Algo que pode ser compensado com um pouco mais de treino.

As versões superiores, com componentes mais leves, quadro e rodas de carbono com certeza sobem melhor. Mas com certeza também cobram o seu preço tanto na compra quanto na manutenção, caso você precise. Uma questão de custo e benefício.

 

 

Descendo

 

É aqui que a Enduro mostra o seu talento. Rodas 27,5 calçadas com pneus agressivos Specialized Butcher 2.6 te dão a segurança de enfrentar qualquer trilha, por mais técnica que seja. E a suspa de 170mm garante a segurança para essa empreitada.

Chegando no alto da montanha, abra as suspensões, abaixe o banco e prepare-se que vai começar a festa. Apareceu um jump? Pode encarar. Surgiu um rockgarden? Só segurar o guidão e apontar a direção que você quer que a bike tome. Precisa levantar a frente para transpor algum obstáculo. É fácil. Pode puxar que ela responde. A bike se transforma na descida!

Os pneus são um caso à parte. Tem atrito muito bom e não comprometem tanto a rolagem, provavelmente por conta do composto utilizado. A versão utilizada é a GRID, mais reforçada para evitar furos e rasgos durante a passagem nos rockgardens. E funcionou bem. Apesar de estar com câmara de ar, não tivemos nenhum furo durante os dias de teste.

Os freios Guide R de 4 pistões foram uma boa escolha para a bike. Modulam bem e, em conjunto com os pneus novos e grandes, desaceleram a máquina sem problema. 

As suspensões cumpriram seu papel. Os 170 mm de curso são adequados para aquele rider que realmente abusa da bike, levando a máquina ao extremo. Não é o meu caso. Apesar de ter rodado bastante com a bike, acabou sobrando curso, mesmo ajustando várias vezes a pressão e o retorno.

Sempre cheguei no final das descidas com a sensação de que dava para ter exigido mais da bike, que ela aguentava fácil. Resumindo, quanto mais agressivo for o biker, mais ele vai utilizar tudo o que essa bike tem a oferecer. Eu me diverti muito com a máquina. E sobrou bike!

 

 

 

Veja a máquina em ação na série Destino MTB

 

 

Altos e baixos

 

A Specialized Enduro Comp 650b agrada pelo conjunto da obra, que é muito equilibrado. Principalmente levando-se em consideração que ela é uma bike de entrada, a mais barata da linha.

Vamos a alguns pontos positivos.

A geometria merece destaque. E você percebe isso tanto na subida, assumindo uma posição bem confortável ao pedalar, quanto na descida, onde a bike te convida para brincar como criança. E ao mesmo tempo fica plantada no chão quando você quer. Muito legal. Um bom equilíbrio entre estabilidade e diversão.

Outro ponto que merece destaque são os pneus. Excelentes. Entre os melhores que já utilizei. Combinado com as rodas Roval Traverse com largura interna de 29mm eles assumem um perfil mais "quadrado", aumentando a área de contato e dando bastante segurança, sem deformar como os pneus plus size.

O lado negativo na minha opinião fica para o dropper post. Funciona muito bem, é confiável e nunca falhou. Mas o retorno é muito rápido. Apesar de ter tentado ajustar mudando a pressão, nunca consegui. Já falei desse dropper em outros reviews. E é um ítem substituível, para quem não se sente confortável. 

 

Ficha Técnica Resumida

 

Bike: Specialized Enduro Comp 650b (27,5) 2018

Quadro: Alumínio M5

Suspensão: Rockshox Yari RC, 170mm de curso

Shock: Rockshox Monarch Plus, 170mm de curso

Freios: Sram Guide R, rotores de 200mm na dianteira e 180mm na traseira

Relação: Sram GX, 11 velocidades, Cassete 10-42

Pedivela: RaceFace Aeffect, 30 dentes.

Dropper: Command Post IRCC, 125mm de curso

Selim: Specialized Henge Comp

Peso: 15,3kg (com pedal Shimano clip), tamanho M

Preço: R$19.999,00

 

 

 

Agradecimento

 

À 4Fun Bike Center, que nos cedeu essa máquina para teste e diversão.

 

 

 

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February 20, 2018

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