REVIEW: CAMBER EXPERT CARBON 29

January 12, 2018

 

 

Na família de Mountain Bikes Full Suspension produzidas pela Specialized, a Camber fica entre a icônica e agressiva Stumpjumper, uma trailbike com 150/135mm de curso e a eficaz Epic, uma máquina pensada para as longas provas de Cross Country Marathon (XCM), com apenas 100mm de curso.

 

Sendo uma bike para trilhas, a palavra chave para definir esse segmento é a versatilidade, pois os 120mm de curso posicionam ela nessa categoria. Nem XC, nem All Mountain/Enduro e muito menos Downhill.

 

Uma trailbike tem que ser versátil: encarar o asfalto de boa até a estrada de terra, subir sem sofrer tanto, pedalar pelas trilhas e ainda descer relativamente bem.

 

Sabemos que é impossível uma bike nessa categoria subir bem como uma bike de XC, ou mesmo descer como as bikes de enduro ou downhill. Mas ela tem que pelo menos encarar tudo isso sem fazer cara feia.

 

A bike:

 

A versão Expert Carbon é apenas uma abaixo da top de linha (S Works) e vem caprichada nos componentes: quadro de carbono (balança em alumínio), suspensão Fox 34 Performance, freios Sram Level TL, Canote Retrátil Command Post IRCC, Rodas Roval em carbono e relação Sram GX Eagle. Uma máquina para ninguém botar defeito.

E custa cerca de metade do preço de uma S-Works.

 

 

 

Como foi o teste:

 

Foram 15 rolês com a bike, totalizando quase 500kms, registrados no strava.

Encarei vários tipos de terreno, desde asfalto no caminho até a zona rural nos meus rolês de XC, até trilhas mais técnicas como o Caveirinhas em Morungaba, onde gravamos com a bike:

 

 

 

 

E muito estradão de terra e trilhas fluidas, além de alguns jumps no Nore Bike Park e rolês urbanos. Realmente não foi um trabalho difícil....

 

 

Subindo

 

A bike sobe bem. Essa foi a primeira certeza que tive, logo no primeiro rolê.

Não sei se por estar acostumado com bikes com curso mais longo, que tendem a ser menos eficazes, mas realmente fiquei impressionado com a facilidade em que eu conseguia encarar as subidas, chegando em casa menos cansado do que em outros rolês.

O conjunto Sram Eagle aliado ao quadro e rodas de carbono realmente fazem a diferença. Dá até pra brincar de seguir os caras do XC e aumentar a média de velocidade no Strava. E olha que não sou disso.

 

Descendo

 

Um dos primeiros rolês que fiz com a bike foi a gravação do episódio 14 da série Destino MTB. Uma trilha conhecida em Morungaba/SP, que chamamos de Caveirinhas. Uma descida longa, técnica, divertida e cascuda em vários trechos. O bom senso pede até o uso de um capacete fechado, pois a trilha é casca.

Veja abaixo em detalhes o capacete que usamos nessa gravação.

 

E lá estava eu, montado numa trailbike 29 de 120mm, com um certo receio de como seria aquele dia de gravação.

Se você acompanha a série, sabe que normalmente usamos bikes de curso mais longo para gravar os episódios.

Se não acompanha, se inscreve lá no canal e confere:

 

 

E como foi a descida? Simplesmente show!

Que bike esperta! Logo no início me esqueci que era uma 29. E que tinha apenas 120mm de curso. Encarei o dia de filmagem naquela trilha numa boa, me divertindo (como sempre...hehehe).

Tive um pouco de dificuldade num trecho com muita pedra exposta e curvas bem fechadas. Mas é comum me enroscar ali com outras bikes também. Então, não posso por a culpa na Camber.

Acho que na mão de quem tem uma tocada mais agressiva, como meus amigos que competem no Enduro, com certeza iria faltar curso. Mas para 90% dos bikers que andam nas trilhas, meros mortais como eu, a bike é bem adequada.

 

 

Geral:

 

A posição de pilotagem é confortável, com guidão de 750mm e mesa de 50mm. Uma boa combinação para a proposta da bike.

Pneus bem confiáveis: Purgatory 2.3 na dianteira e Ground Control 2.3 na traseira, ambos na versão Gripton, um pouco mais reforçados. Pneu bom é pneu que você esquece que existe. E só me lembrei deles agora no review. Montados com tubeless, é lógico. Odeio consertar pneu furado.

Não tive nenhum problema com os freios, mesmo em descidas mais longas ou quando molhados. Mesma coisa a dizer sobre o selim. (Specialized Henge Comp). Confortável mesmo para longas pedaladas.

Algo interessante na bike é a pedivela Descendant, da Truvativ. Como o nome indica, tem um pé na parte mais radical do mtb. E combinou com a bike.

A sensação de leveza ao pedalar é surpreendente. Achei até que a balança estava com problema quando pesei a bike. Nunca imaginei que ela estava na casa dos 13kg. Pedalando, a sensação é que pesa 10, 11 no máximo!

 

 

Sobre as trailbikes:

 

Acho que no Brasil temos um pouco de preconceito em relação às categorias das MTB's.

Muitos acreditam que uma hardtail não serve para encarar uma trilha mais técnica. Ou mesmo que uma bike full é ruim para o XC. Ou que uma trilha onde rolou uma competição de enduro só serve pra quem está numa bike com o mínimo de 160mm de curso...

E, na verdade, com uma bike como a Camber você consegue fazer tudo muito bem e se divertir demais. Até com uma bike mais simples sabemos que seria possível, mas como a idéia do review e falar dessa bike em específico, vou resumir no próximo parágrafo.

Se fosse pra ter uma bike só, para andar no XC ou mesmo treinar no dia a dia, ir para as trilhas mais pesadas eventualmente e encarar qualquer bike park no Brasil? Difícil pensar numa bike melhor do que essa. Mais confortável que uma bike de XC e mais eficiente na pedalada do que uma bike de enduro.

Me diverti tanto quanto numa Stumpjumper nas trilhas técnicas, só que chegava em casa mais inteiro.

Andei rápido pelos estradões de terra e trilhas da minha cidade, só que cheguei em casa com menos dor no corpo do que quando faço isso numa hardtail.

Pensando no relevo do Brasil em geral e nos tipos de rolê que a maioria dos bikers fazem por aqui, essa bike encaixa direitinho. 

 

Altos de Baixos

 

Difícil falar dessa bike sem elogiar o Sistema SWAT. Saber que as ferramentas básicas estão à mão caso aconteça algo ou mesmo poder sair num rolê rapidinho sem levar mochila é muito conveniente. Perfeito para os rolês rápidos antes ou depois do trabalho.

E dá até pra levar um lanche dentro do quadro. Só não pode esquecer lá dentro!

A suspensão é muito fácil de acertar. Uma boa tabela no garfo e o ajuste AutoSag do shock facilitam a vida mesmo de quem é inexperiente no assunto.

Pontos negativos?

Com certeza o canote retrátil Command Post IRCC.

Já tinha falado dele quando testamos a Stumpjumper.

Mesmo canote, mesmo problema. O retorno é muito rápido. Nunca consegui ajustar deixando numa velocidade que me sentisse seguro. Diminui a pressão, ele não sobe direito. Coloca mais ar, vira um canhão. Se você se esquecer, pode ter um acidente com suas partes baixas. Tirando isso, funciona bem. Só precisa calibrar periodicamente.

Por outro lado a alavanca de acionamento fica exatamente onde ficava o antigo trocador do câmbio dianteiro. Sensacional.

Outro ponto negativo na minha opinião é mais uma característica das bikes 29 do que da Camber em si. Pelo menos das 29 que testei.

Uma certa dificuldade em levantar a roda dianteira. Nas 26 é fácil, nas 27,5 tudo bem, mas nas 29, principalmente sem pedalar para levantar a roda, tentando mandar um manual por exemplo, é bem mais difícil. Quem gosta de bikes mais espertas acaba reclamando das 29. Muitas marcas têm mudado a geometria para alterar esse comportamento das aro 29. E elas sem dúvida estão mais espertas do que as primeiras gerações.

Para a maioria das pessoas, com certeza não é um problema, e sim uma característica da bike. Para quem é extremamente técnico, talvez também não faça diferença. Mas eu sinto isso, pois meu foco principal é diversão.

Outro ponto: a saudade do bom e velho quick release continua batendo forte. Nessa bike pelo menos o canivete com as chaves necessárias para tirar e colocar as rodas estão na mão.

 

Quem deveria usar essa bike?

Todos que pedalam no dia a dia e não competem a sério tanto no XC quanto no Enduro.

Aqueles que querem uma bike confortável, estável e leve.

 

 

Ficha Técnica Resumida

Bike: Specialized Camber Expert Carbon 29

Quadro: Triângulo dianteiro em carbono FACT 9m, porta SWAT Door e balança em alumínio M5

Suspensão: Fox 34 Performance, 120mm de curso

Shock: Fox Float DPS, com AutoSag e RX Trail Tune, 120mm de curso. 3 posições de ajuste.

Freios: Sram Level TL, discos de 160/180mm

Relação: Sram GX Eagle 12velocidades, cassete 10-50.

Pedivela: Truvativ Descendant, coroa 30 dentes

Peso: 13,5kg, tamanho M, sem os pedais e com os acessórios SWAT (canivete, chave e corrente e power link).

Preço: R$33.999,00

 

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